Carcinoma Basocelular (CBC)
É o câncer mais comum do mundo, acomentendo frequentemente a face e áreas expostas ao sol. Tem como principais fatores de risco a exposição solar crônica e a predisposição genética. Embora seja normalmente localizado e de fácil tratamento pelo dermatologista, alguns subtipos podem ser mais agressivos, invadindo estruturas profundas e causar grandes mutilações. Os subtipos histológicos mais agressivos e portanto mais difíceis de tratar são os de padrão esclerodermiforme, o infiltrante, o micronodular, e o metatípico.
Podem ser utilizadas várias técnicas para o tratamento do carcinoma basocelular, dependendo do tipo histológico, tamanho, localização da lesão, e condições clínicas do paciente. O congelamento com nitrogênio líquido (criocirurgia) pode ser feito em lesões mais superficiais com boa resposta, porém deve ser evitada em áreas nobres como a face e em tumores recidivados ou de subtipo histológico mais agressivo. A cirurgia convencional é a mais utilizada , no entanto ela não permite a avaliação completa das margens cirúrgicas, sendo preferencialmente usada para tumores com subtipo histológico superficial ou nodular, e somente para tumores primários que nunca foram operados anteriormente.
Para tumores em áreas nobres da face, tumores de subtipo agressivo, ou tumores recidivados ou incompletamente excisados, a cirurgia micrográfica de Mohs é o tratamento ideal, porque permite a análise histológica de todas as margens cirúrgicas, garantindo uma maior taxa de cura, com menores índices de recidiva, e com a vantagem adicional de poupar o tecido sadio ao redor do tumor favorecendo o fechamento cirúrgico, sendo considerada a técnica mais efetiva para o tratamento destes tumores.
Casos mais complexos, considerados inoperáveis podem ser controlados com quimioterapia com vismodegib, uma droga capaz de conter o crescimento tumoral em boa parte dos pacientes, sendo considerada a melhor alternativa para aqueles casos em que não é possível a cura com cirurgia.
Carcinoma Espinocelular (CEC)
É o segundo tumor malígno mais comum da pele, e a exposição solar crônica é o principal fator de risco. Pode acometer qualquer parte do corpo, sendo mais comum nas áreas expostas ao sol. Se não tratado adequadamente podem ocorrer metástases á distância, e acometer outros órgãos, tornando o prognóstico mais sombrio. Os tumores pequenos, in situ (também chamados doença de Bowen), e os tumores pequenos localizados, são normalmente curáveis através de cirurgia convencional ou criocirurgia. No entanto para aqueles tumores mais invasivos, recidivados ou em áreas nobres como face, região genital, e mãos, a cirurgia micrográfica de Mohs é a mais indicada por ser a técnica cirúrgica com maior controle histológico das margens cirúrgicas e maior taxa de cura, poupando o tecido sadio ao redor do tumor.
Melanoma Maligno
Tem como fatores predisponentes principais o fator genético, história familiar de melanoma, e a exposição solar crônica. Existem basicamente 4 formas clínicas de melanoma malígno sendo elas: 1- Melanoma Lentigo Malígno, mais comum em idosos acometendo frequentemente a face e couro cabeludo. 2- Melanoma Extensivo Superficial, que em geral é uma mancha escura, irregular, com várias tonalidades de cor, sendo mais comum no tronco em pacientes dos sexo masculino, e nas pernas em pacientes do sexo feminino. 3- Melanoma Nodular, normalmente é um nódulo ou uma lesão tumoral enegrecida, associado ou não a uma mancha escura em sua base, geralmente são lesões mais avançadas e com prognóstico pior. 4- Melanoma Acral, ocorre preferencialmente em pacientes negros, em regiões palmo-plantares.
O melanoma é um tipo de câncer oriundo de células chamadas melanócitos, e seu prognóstico varia muito de acordo com a profundidade das células malígnas na derme (índice de Breslow). De maneira geral, melanomas mais superficiais tem melhor prognóstico, enquanto que melanomas mais espessos tem pior prognóstico por terem maior chances de metástases e consequentemente maiores chances de acometerem outros órgãos, podendo levar ao óbito. No entanto a maioria dos melanomas quando diagnosticados precocemente tem um ótimo prognóstico e são curados com cirurgia convencional, por isso um exame periódico ao dermatologista é fundamental para detecção precoce de lesões suspeitas. O exame dermatoscópio de rotina é um grande aliado na detecção precoce de lesões iniciais, e em caso de suspeita pode ser indicado uma biópsia. No caso de confirmação histopatológica do diagnóstico de melanoma, o dermatologista pode proceder a uma nova cirurgia para ampliação de margens cirúrgicas de acordo com o índice de Breslow. Dependendo do caso pode ser necessário um acompanhamento multidisciplinar com cirurgião oncológico, oncologista clínico, etc. Casos mais avançados podem se beneficiar de quimioterapia, e do uso de novas drogas imunobiológicas no intúito de controlar e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Dermatofibrosarcoma Protuberans (DFSP)
É um tumor malígno de partes moles, que pode acometer qualquer parte do corpo sendo mais frequente no tronco e na cabeça. Pode ter um crescimento subclínico muito grande e é um tumor altamente recidivante. Quando não tratado adequadamente pode causar grandes mutilações e metástases á distância, piorando o prognóstico. A cirurgia micrográfica de Mohs é considerada o tratamento padrão ouro para este tipo de tumor, ja que a maioria dos estudos aponta uma maior taxa de cura com a cirurgia micrográfica de Mohs.
Outros Tumores Malignos de Pele
Tumores mais raros como o carcinoma sebáceo, fibroxantoma atípico, carcinoma anexial microcístico, doenca de Paget extramamária, dentre outros, podem ser de difícil diagnóstico devido a sua raridade, no entanto a adequada abordagem por um dermatologista pode
Obs: Para saber mais, procure seu dermatologista.
Referências:
1- http://www.anaisdedermatologia.org.br/detalhe-artigo/102538/Diretrizes-de-indicacoes-de-cirurgia-micrografica-de-Mohs-nos-tumores-da-pele-
2- http://amb.org.br/diretrizes/_DIRETRIZES/cirurgia_micrografica_de_mohs/index.html#
3- https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19852120
4- http://onlinelibrary.wiley.com/store/10.1002/14651858.CD007041.pub4/asset/CD007041.pdf;jsessionid=07374D355D6769D9DFBC772E5624D3EC.f01t03?v=1&t=j5ky1kbv&s=6d71580e781bff7c76993b5a0757ffe71223438d
5- https://www.sbcd.org.br/pagina/1624